À 6ª feira...Estudos&Estórias - Perspectivas para o 3º trimestre de 2010 - 2010-07-30

À 6ª feira... Estudos&Estórias - 2010-07-30


Perspectivas para o 3º trimestre de 2010

Até agora, numa perspectiva cíclica, a recuperação económica mundial tem parecido surpreendentemente normal. A nossa visão é de que a recuperação do crescimento continue sustentada, embora o momento macroeconómico favorável, induzido por uma política monetária acomodativa e pelos estímulos orçamentais, esteja a terminar. À medida que as autoridades tiverem de definir uma estratégia para assegurar a manutenção dos estímulos necessários para manter o crescimento e a gestão de um processo de normalização de políticas, o ambiente irá tornar-se cada vez mais desafiante para os mercados. Os desafios macroeconómicos continuam significativos, com muitas economias desenvolvidas a enfrentarem, também, o problema adicional de gestão dos seus elevados défices, para evitarem o incumprimento dos compromissos associados ao seu endividamento. 

 

Apesar dos riscos existentes, ficámos com uma perspectiva mais construtiva relativamente às acções, que continuam com uma posição de sobre-ponderação no nosso modelo de alocação de activos. As nossas perspectivas quantitativas e qualitativas estão agora alinhadas de um modo mais positivo, pelo que aumentámos o risco ao nível das classes de activos, passando de uma posição de alocação de activos globalmente neutral para uma situação de sobre-ponderação nas acções.

A nossa análise cíclica das acções mostra uma fase favorável para essa classe de activos no curto prazo, à medida que as empresas continuem a manter reduzidos os custos com o pessoal e a reconstituir os seus stocks. Os dados fundamentais estão igualmente a melhorar de forma estrutural, com a redução do aperto do crédito e a diminuição da volatilidade. No entanto, como sempre, irão surgir obstáculos no caminho para a recuperação. A possibilidade relativamente elevada de uma crise da dívida soberana, centrada actualmente na Grécia, mas com outros países desenvolvidos em situação similar teria, inevitavelmente, efeitos graves nos mercados accionistas. Existe igualmente o risco de queda motivado por uma retirada da liquidez, mais acentuada do que a esperada, ou que o efeito nos mercados seja subvalorizado.

Os nossos modelos quantitativos sugerem que o Reino Unido pode registar um desempenho relativo superior, após o fraco desempenho de 2009. O mercado está relativamente defensivo por natureza e deverá estar melhor posicionado para proporcionar rentabilidades mais fortes num ambiente de dados fundamentais moderados. Mantivemos a posição de sobre-ponderação nas acções dos mercados emergentes, embora a um nível relativamente inferior ao do ano passado. A região continua atractiva e, apesar de estar mais avançada no ciclo económico relativamente às economias desenvolvidas, uma vez que recuperou a uma taxa mais elevada, deverá ainda ser possível atingir um desempenho relativo superior.

Dada a nossa preferência mais forte pelas acções, as obrigações estão agora com uma posição de sub-ponderação no nosso modelo. Nessa classe de activos, mantemos a preferência pelo crédito relativamente à dívida soberana, pois as yields da Alemanha e dos EUA foram conduzidas para níveis artificialmente baixos em resultado da fuga para a qualidade verificada com a crise da dívida na zona euro. Uma vez mais, o crédito tornou-se mais interessante do que as obrigações de dívida pública pois, apesar dos dados fundamentais positivos continuarem inalterados, as valorizações tornaram-se mais baratas.

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Equipa de Estratégia

F&C

 



2010-07-30


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