De acordo com o mesmo dermatologista, «o impacto psicológico é relevante. Muitos indivíduos sentem-se envergonhados e têm medo de contagiar outros no meio familiar, desportivo e profissional. Por este motivo, isolam-se socialmente e escondem as unhas afectadas».
«As pessoas devem compreender que quanto mais cedo se fizer o diagnóstico e se detectar o problema maiores probabilidades existem para um tratamento eficaz», alerta Rui Tavares-Bello.
Tal como acontece com muitas outras patologias, também com as onicomicoses, um diagnóstico precoce é condição essencial para um tratamento adequado e consequente paragem da disseminação da infecção.
Até porque, alerta o mesmo dermatologista, «muitos doentes, antes de se deslocarem ao médico, recorrem a remédios caseiros que não tratam a doença, como sejam vinagre, pedra-pomes ou tintura de iodo. Observa-se ainda o recurso a preparações tópicas de cremes antimicóticos, que também são inadequadas. O uso de cremes com corticosteróides, cada vez mais frequente, vem complicar adicionalmente a situação e favorecer outras complicações pela sua actividade imunossupressora».
Segundo este especialista, «numa fase inicial da doença, a utilização adequada de vernizes antifúngicos pode ser eficaz em até cerca de 75% das onicomicoses. Mas se a infecção envolver mais de 50% da unha, afectar a matriz, originar importante distrofia ungueal ou ser resistente a tratamentos locais prévios, além destes vernizes, deve ser instituído um tratamento combinado com comprimidos ou cápsulas antifúngicas».
A medicação oral dura normalmente entre um a três meses para as mãos e três a quatro meses para os pés. Já a terapia local tem a duração média de três a seis meses para as mãos e de 12 meses para os pés.
O dermatologista Rui Tavares-Bello salienta a necessidade imperiosa de uma certeza diagnóstica antes de se iniciar um tratamento que é longo e não destituído de efeitos adversos, como é o das onicomicoses. Para tal, o recurso a um especialista, a realização eventual de um exame micológico e um seguimento adequado são as únicas condições de sucesso.
Pé-de-atleta
Ora, caso não seja feita nenhuma terapêutica, não tardam a surgir consequências. Além da dor e desconforto ao andar, as onicomicoses podem estar associadas a dermatomicoses na pele do pé, como o pé-de-atleta.
Esta denominação, refere a Dr.ª Ana Oliveira Silva, podologista, «é a designação ?comum? de um conjunto clinicamente diversificado de infecções fúngicas que, frequentemente, afectam os pés dos desportistas, sendo que o nome deriva do facto de serem muitas vezes contraídas numa piscina ou numa infra-estrutura desportiva.
Em termos médicos, denomina-se Tinea pedis. Os dermatófitos que mais frequentemente causam pé-de-atleta são espécies dos géneros Epidermophyton e Trichophyton». Acontece, porém, que existem variadas dermatoses com diagnósticos diferenciais com o pé-de-atleta, como sejam os eczemas ou a psoríase.
«A grande variedade de doenças aconselha alguma prudência na definição dos diagnósticos das dermatoses plantares (do pé) do desportista, porque nem todas são pé-de-atleta», alerta a podologista, sublinhando que «a observação por um especialista é, na maioria dos casos, indispensável».
Esta patologia manifesta-se primeiramente na zona interdigital dos pés, que é muito vulnerável, sobretudo quando não está seca.
«Resulta em fendas ou ?fissuras?, descamação e eritema, e pode infectar também outros dedos do pé. Estas áreas irão originar prurido e podem ser dolorosas», informa Ana Oliveira Silva, acrescentando: «Pode-se contrair uma infecção no pé ao caminhar num local húmido, fazendo-o as pessoas muitas vezes descalças, por exemplo, numa piscina ou num balneário.» E recomenda: «É obrigatório o uso de chinelos ou outro tipo de calçado na maioria dos locais públicos húmidos (saunas, piscinas, etc.).»
Existem antifúngicos tópicos destinados ao tratamento do pé-de-atleta, sendo os principais grupos as alilaminas (terbinafina) e derivados do imidazol (clotrimazol, econazol, miconazol, sertaconazol, etc.). Substâncias como o tolnaftato e a ciclopiroxolamina também podem ser eficazes.
«Se estiver só a pele afectada, a infecção pode ser controlada com uma pomada ou creme antifúngicos. Para infecções mais difíceis, ou se as unhas também estiverem afectadas, é necessária uma terapêutica sistémica», menciona a mesma podologista, que salienta a importância das medidas de higiene orientadas para o tratamento e prevenção.
Medidas preventivas
A Dr.ª Ana Oliveira Silva, podologista, indica vários conselhos para prevenir o pé-de-atleta, alguns dos quais também adequados às onicomicoses. Anote:
- Certifique-se de que seca bem os pés depois de os lavar, especialmente nos espaços entre os dedos;
- O calor e a humidade agravam a situação; consequentemente, a transpiração excessiva (hiperhidrose) é um problema subjacente e, por isso, também deve ser tratada;
- Se for susceptível às infecções fúngicas, polvilhe os sapatos de vez em quando com um pó antifúngico;
- Utilize meias limpas de algodão todos os dias; se sofrer de hiperhidrose (excesso de transpiração), troque de meias duas vezes por dia;
- Não deve usar o mesmo calçado todos os dias;
- Use calçado arejado em tempo quente e certifique-se de que não está demasiado apertado. Os sapatos desportivos e botas de borracha não efectuam uma boa ventilação, pelo que preferencialmente só devem ser usados durante a prática de desporto;
- Use chinelos em duches ou balneários públicos;
- Corte e lime as suas unhas com regularidade. Corte-as tão direitas quanto possível (não com cantos redondos) para evitar que as unhas fiquem encravadas.
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Informação editada em Ago. 07.